Diferente de Drummond, o índio Andrade é meio poeta de um mundo caduco. Não que saia por aí distribuindo entorpecentes e cartas de suicida, mas, de vez em quando – ou bem de quando em vez – sai para beber com os amigos e escreve sobre balões azuis que viu, enquanto passava de ônibus, rodopiando no vento sobre os céus da avenida movimentada.
Seja em Vitória, a “taba” onde vive, seja em Guarapari, a “taba” onde viveu, ou em qualquer outro lugar do mundo que seja interessante, gosta, como ninguém, de um bom programa de índio – barato e divertido, de preferência. Não que tenha todo o tempo do mundo para isso, mas, do pouco tempo que tem, tenta e quer que seja em boa parte para isso!
Na porção um pouco mais séria da vida, estuda Direito, pesquisa, faz estágio e estuda línguas (é apaixonado por Espanhol e amante, de segunda viagem, do Inglês; ainda quer aprender Francês – o próximo da lista – e meio mundo de tudo aquilo que dê para se comunicar). Tem muitos sonhos e planeja bastante a vida, mas não costuma sair falando bem por aí: índio, que é índio, sabe que o que a mão direita dá a esquerda não precisa saber.
Nos finais de semana, quando o Vade Mecum dá uma trégua, dorme até mais tarde, lê um bom livro ou vê um filme. Desce as escadas de casa, dá uma volta no parque e toma o café da manhã na padaria. Às vezes, vai ver o movimento das gentes na feira ou no calçadão. Quando a saudade aperta, vai para a “oca” dos pais, dos irmãos, toca um violão bem meia-boca com os sobrinhos ou, andando pela praia, aquieta o facho para ver o pôr do sol e pensar na vida.
De vez em quando, escreve. Ainda quer publicar um livro, ter um cachorro, encontrar (ou reencontrar) um grande amor desses de cinema, conhecer a Tailândia, fazer um “mochilão” pela América do Sul (começando em Ushuaia e terminado em Cartagena das Índias, na foz do Rio Madalena), ter uma casa de pedra com uma bela vista e arrumar uma biblioteca.