9.9.14

IaNoMoney Bike Life 001 – Vitória à Guarapari


Bom dia sábado! Porque acordaste tão frio? É eu sei, eram 5h e a cama pedia pra ficar. Talvez errado estivesse eu em estar de pé aquela hora, e não o dia, em amanhecer frio. Pra piorar, a diversão da noite passada ainda batia. Pelo paladar, pelo cheiro, pelas lentes que ainda estavam nos olhos, que mostravam que tudo foi tão divertido que nem as mínimas coisas foram feitas. Ou seja, tudo indicava que devia ficar em casa, dormir mais, curtir mais um pouco daquela vibe que fazia tempo que não sentia... PORRA NENHUMA!!! Três horas de sono não conseguiram tirar minhas positives vibrations. Eu queria mais! E fui buscar longe às 6h da manhã!

Era dia de fazer doideira! Era dia de chutar a caixinha de “normal” pra longe. Morfar, evoluir, elevar o ki ou invocar o Exódia, era dia de voltar a infância. Essa de molecão pedalando pra todo lado, como se o motivo da vida fosse apenas andar de bicicleta. Particularmente, estava me devendo essa há anos, e aquele sábado era dia de pagar a dívida com minha vida de índio moleque, que tava sumindo, enquanto morava na capital. Era dia de meter o pé no pedal de Vitória até Guarapari, de 55 km de casa à casa, de RIDE LIFE! So, c'mon let's go!
Sol das 9h abençoando!
Entre sair de casa, um busão do Bike GV para chegar a Vila Velha pela nossa querida 3ª ponte, e uma hora esperando o resto da aldeia indígena que foi comigo, deu mais ou menos 8h da manhã. Depois de um alongamento à indiana – esse mais a ver com a Índia do que com os índios (santo Colombo, complicando meu texto!) – na Praia de Itapoã, partimos. Entre papos e músicas, o visual do mar bem mexido, bem feio, estava o sol gostoso das 9h, brilhando depois de dias de chuva, contemplando e influenciando diretamente na minha opinião sobre a aventura que estávamos fazendo. Já pensou encarar chuva e vento? Nuss...

Depois de uma paradinha no fim da Praia de Itaparica, de disputar um racha com um tiozinho involuntariamente, de passar pelo Rio Jucu assoreado que só, e atravessar a infinita reta da Barra, as coisas ficaram mais tristes. Embora hajam bons acostamentos na Rodovia do Sol que propiciem a legalidade da circulação das bikes, agora não havia nenhuma barreira física que nos separasse dos carros. Tomar um fino era moleza, e até rolou comigo. Não dá pra discutir a viabilidade de uma ciclovia para o trecho além de Terra Vermelha, mas dá pra discutir pelo menos a preocupação da Rodosol com esses usuários da via, que é zero, afinal, não pagam pedágio. Ela venda os olhos para algo que deveria se preocupar de alguma forma, afinal está previsto no código de trânsito o ir e vir de bicicletas pela rodovia.

O filme que passou no home cinema hoje...
Voltando para o que de fato importa, nada mais justo do que parar para se alimentar um pouco com um belo visual do caminho né? É bem verdade que waffer e “refresco de remédio” não é a melhor coisa pra se comer, mas o que não estava artificial era a praia no final do bairro Ponta da Fruta. Ruas cobertas com a areia da praia, lembrando um certo abandono de cenas de filmes de faroeste, cujo amarelado da areia, acrescido das árvores sem folhas, lembravam o sertão desse Brasilzão sem fim. Sertão com mar! Parafraseando com o contraste do mar ao fundo de toda essa fotografia mental que acabo de descrever. Sei lá, me maravilho com coisas bobas para todos. Só sei que naquela hora, tudo que comi tinha gosto de pipoca e eu parecia dentro do home cinema da minha casa, só que ao vivo, absorvendo na fonte cada raio de luz que compõe aquelas lindas imagens.

Home, sweet home...
Passando pelo “querido” pedágio (sem pagar, é claro!), e depois de mais um bocado de pedal as margens do Parque Estadual Paulo César Vinha, chegamos à Guarapari e a nostalgia logo bateu. Entrada de Setiba, Perocão, Aeroporto, Praia do Morro, rua da minha casa. Quanto tempo não chegava na minha casa dessa forma. Mas ao mesmo tempo que eu chegava com essa estranheza aos locais como há 5 anos, eu também me sentia mais em casa. Passado o primeiro momento, parecia que eu não havia deixando de fazer nunca o que sempre fiz. Estava feliz, e o meu desejo por boas vibrações estava ali, vibrando por eu ter alcançado um objetivo de algum tempo de maneira esplendorosa.

Maneiro foi quando cheguei em casa, com a bike nas costas, e uma mistura de raiva e alegria estava no rosto de minha mãe. Acho que ela já aprendeu a lidar com minhas pequenas doideiras e a raiva, ela nem conta mais. Devia estar alegre por seu filho fazer o que bem entendeu naquele dia, por ter driblado como um craque as anormalidades que aparecem ao acordar cedo para ir para casa sobre pedais e duas rodas. No fundo, ela deve pensar: “Ser normal só faz ele ser mais do mesmo!”. É mamãe, você é minha gênia! TE AMO! Parafraseando... Nós devíamos nascer loucos, pena que a sociedade nos corromperia... :/

Prejuízo per capita: R$ 2,60 + bananas + passe escolar no Bike GV

Fotos: http://1drv.ms/1xG0vTk;

Trilha Sonora: Alex Clare  The Lateness of the Hour (álbum)

Um pouco de Legislação para Bikes: http://is.gd/Sk3JRT (créditos mantidos);

Matéria que saiu no dia seguinte no GazetaOnline sobre o Pedal Fotográfico. Um grupo que procura um pouco de sentido para a vida usando canela e duas rodas, e mostra tudo isso em fotos e textos: http://is.gd/LO2V5a (créditos mantidos);

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