As vezes
acho que entre o caminho entre a Enseada do Suá (veja aqui) e a Ilha
do Boi, sem querer botei o pé dentro de um avião e fui parar em
algum bairro dos EUA, com aquelas casas de ruas arborizadas e muros
baixos que eu via nos filmes da Sessão da Tarde quando pequeno. Mas
eu tinha que acordar, afinal, ao norte eu via a Ilha do Frade e a
Curva da Jurema, e ao sul, a 3ª ponte e seus amigos tavam pedindo pra eu tirar uma outra foto das poses deles, e eu não resisti.
Por sinal, tava na hora de parar de se encantar pela turma lá do sul
e tocar o barco, em busca de algo tão belo quanto. E não é que
achei rapidinho nessa ilha que o aterro trouxe para o continente?!
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| A tal prainha que o mané aqui não sabe o nome, mas que ele se encantou. |
Voltando
às minhas férias, foram elas que usei como justificativa –
mental, é bem verdade – toda vez que algum empregado dos
residentes me olhava com estranheza. “Tô de férias cara, relaxa
aí que não tô perdido, nem quero assaltar ninguém!” Pelo visto
andar por lá procurando diferentes visões das belezas capixabas não
é algo que os próprios moradores fazem. Aliás, em meio a casas
exuberantes, a sensação de ser vigiado, seja por pessoas, polícia
ou câmeras é uma tônica. Não se vê moradores andando pelas ruas,
praticando esportes nas pracinhas, nem crianças brincando em
qualquer lugar. Ver “nativos” alí, só dentro de carros ou na
principal praia da ilha. Falta espírito de índio. Deve ser o
excesso de espelhos para trocar... (ver Legião Urbana).
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| Praia do Clube Ítalo. Desperdício não poder ir lá... |
Já que
o povo não me encantou melhor falar daquilo que não desaponta, ou
não deveria. Ao fim de uma rua sem saída, uma mureta escondia um
visual muito bonito de uma pequena praia do Clube Ítalo-Brasileiro,
essa daí só acessível nadando, ou sendo sócio. Uma pena, pois foi
de lá a foto mais bonita desse tour. Mais à frente, já pelas
pedras, e para o lado oposto ao do clube, chego numa praia que
imagino ser a Praia Direita, vazia praticamente. E de fato ela não
tinha nada de mais para ter algum movimento. Andando por mais pedras,
e entre uma foto e outra da Ilha do Frade e da Praia de Camburi lá
longe, a Praia Esquerda surge com alguns habitantes, graças a Deus!
Tava mesmo sentindo falta da galera nessa joça!
Era
melhor não sentir falta. A praia em si também não tinha nada
demais. A vista para o mar e casas para todos os lados passavam a
imagem que não precisa ser bonita, mas tinha que ser bem exclusiva,
quase a pedra preciosa dos moradores, guardada à sete chaves, apesar
do acesso ser livre. Os frequentadores eram jovens e bem
inacessíveis, novamente passando a imagem de que eu não era bem
vindo alí. Não dá pra agradar a todos, né?! Deixa pra próxima!
Nem mesmo as árvores em meio à praia, que me encantaram no início
do texto, surtiram efeito parecido nesse momento.
Não
sei, acho que o brilho se perdeu a medida que fui conhecendo e me
sentindo desconfortável. Um texto decadente para um lugar que perdi
o encanto aos poucos. Não dá pra esperar que um local encante
apenas pelas suas belezas naturais. A Ilha do Boi possui sim visuais,
casas e ruas bem bonitas, mas talvez seja melhor conhecer locais com
menos presença do homem. Ele geralmente deixa o local menos
encantador com suas ações, assim como o meu desânimo com isso
deixou esse texto mais pobre.
Prejuízo per capita: R$ 3,86 + passe escolar
Fotos: http://1drv.ms/1tMj02l
Trilha Sonora: Avicii – True (álbum)
Prejuízo per capita: R$ 3,86 + passe escolar
Fotos: http://1drv.ms/1tMj02l
Trilha Sonora: Avicii – True (álbum)
O trabalho IaNoMoney Grand Tour 002 – Ilha do Boi de Ianomoney está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.


