25.8.14

IaNoMoney Grand Tour 002 – Ilha do Boi


As vezes acho que entre o caminho entre a Enseada do Suá (veja aqui) e a Ilha do Boi, sem querer botei o pé dentro de um avião e fui parar em algum bairro dos EUA, com aquelas casas de ruas arborizadas e muros baixos que eu via nos filmes da Sessão da Tarde quando pequeno. Mas eu tinha que acordar, afinal, ao norte eu via a Ilha do Frade e a Curva da Jurema, e ao sul, a 3ª ponte e seus amigos tavam pedindo pra eu tirar uma outra foto das poses deles, e eu não resisti. Por sinal, tava na hora de parar de se encantar pela turma lá do sul e tocar o barco, em busca de algo tão belo quanto. E não é que achei rapidinho nessa ilha que o aterro trouxe para o continente?!

A tal prainha que o mané aqui não sabe o nome, mas que ele se encantou.
Minha cabeça naturalmente grita por imagens da natureza dentro das cidades. Me pergunta se gosto de ir pro interior? Casa de campo, sítios e etc? Nops! Meu negócio é viver esse antagonismo, que é buscar a sanidade, dentro de um lugar que exala insanidade. Tenho o prazer de viver “perigosamente”. E nessa busca aí, depois de tanto tempo morando em Vitória, finalmente encontrei um local que me traz paz de espírito. Ao entrar na Ilha do Boi, atrás do posto policial, e cercada pelo “playground” do Hotel Senac Ilha do Boi, existe uma praiazinha de difícil acesso, de água calma, que quase passou batida de tão escondida, mas que por um lapso de visão, foi vista. A sensação de estar sozinho na praia, largar as coisas de qualquer jeito na areia, ficar boiando no mar sem se preocupar com ondas ou qualquer outra coisa, tudo isso aliado ao visual de mata que há em meio as casas e ao hotel, me fez desligar do mundo que existe aqui fora e me conectou a algum lugar das minhas férias imaginárias. Foi um dos poucos momentos que me senti de fato de férias da UFES. E aposto que os australianos sentiram a mesma coisa em meio a Copa do Mundo que participavam, pois essa era uma das praias que eles frequentavam.

Voltando às minhas férias, foram elas que usei como justificativa – mental, é bem verdade – toda vez que algum empregado dos residentes me olhava com estranheza. “Tô de férias cara, relaxa aí que não tô perdido, nem quero assaltar ninguém!” Pelo visto andar por lá procurando diferentes visões das belezas capixabas não é algo que os próprios moradores fazem. Aliás, em meio a casas exuberantes, a sensação de ser vigiado, seja por pessoas, polícia ou câmeras é uma tônica. Não se vê moradores andando pelas ruas, praticando esportes nas pracinhas, nem crianças brincando em qualquer lugar. Ver “nativos” alí, só dentro de carros ou na principal praia da ilha. Falta espírito de índio. Deve ser o excesso de espelhos para trocar... (ver Legião Urbana).

Praia do Clube Ítalo. Desperdício não poder ir lá...
Já que o povo não me encantou melhor falar daquilo que não desaponta, ou não deveria. Ao fim de uma rua sem saída, uma mureta escondia um visual muito bonito de uma pequena praia do Clube Ítalo-Brasileiro, essa daí só acessível nadando, ou sendo sócio. Uma pena, pois foi de lá a foto mais bonita desse tour. Mais à frente, já pelas pedras, e para o lado oposto ao do clube, chego numa praia que imagino ser a Praia Direita, vazia praticamente. E de fato ela não tinha nada de mais para ter algum movimento. Andando por mais pedras, e entre uma foto e outra da Ilha do Frade e da Praia de Camburi lá longe, a Praia Esquerda surge com alguns habitantes, graças a Deus! Tava mesmo sentindo falta da galera nessa joça!

Era melhor não sentir falta. A praia em si também não tinha nada demais. A vista para o mar e casas para todos os lados passavam a imagem que não precisa ser bonita, mas tinha que ser bem exclusiva, quase a pedra preciosa dos moradores, guardada à sete chaves, apesar do acesso ser livre. Os frequentadores eram jovens e bem inacessíveis, novamente passando a imagem de que eu não era bem vindo alí. Não dá pra agradar a todos, né?! Deixa pra próxima! Nem mesmo as árvores em meio à praia, que me encantaram no início do texto, surtiram efeito parecido nesse momento.

Não sei, acho que o brilho se perdeu a medida que fui conhecendo e me sentindo desconfortável. Um texto decadente para um lugar que perdi o encanto aos poucos. Não dá pra esperar que um local encante apenas pelas suas belezas naturais. A Ilha do Boi possui sim visuais, casas e ruas bem bonitas, mas talvez seja melhor conhecer locais com menos presença do homem. Ele geralmente deixa o local menos encantador com suas ações, assim como o meu desânimo com isso deixou esse texto mais pobre.

Prejuízo per capita: R$ 3,86 + passe escolar

Fotos: http://1drv.ms/1tMj02l

Trilha Sonora: Avicii – True (álbum)

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