Já tinha passado da hora de visitar a região que sempre está nas fotos de cartões postais do nosso estado. Andar por perto da Assembleia Legislativa, Shopping Vitória, e até mesmo pela 3ª ponte é algo comum para grande parte do povo capixaba, mas, embora normal, existia algo que pedia ao índio Belsholff para ir naquela praiazinha debaixo da ponte. Algo que dizia a ele: “Lá é foda!”, que poderia-se ver a ponte, o Batalhão de Infantaria e o Convento da Penha sobre novos ângulos, sem necessariamente faltar um deles, ou que algo os sobrepusesse.
E foi exatamente o que enxerguei por detrás dos imponentes prédios empresariais, legislativos e jurídicos, atrás também do pequeno grupo de casinhas que igualmente mostravam o poderio financeiro de quem lá mora. Quem investiu no aterro daquela região no final da década de 60, certamente fez isso enxergando todo o potencial que a área tem. Além de, por alguma “coincidência do destino”, saber que dez anos depois, por lá estaria um dos maiores cartões postais do estado. Enfim, nenhuma surpresa.
Ao avistar o mar ao fim de uma rua do bairro, já pude sentir que a parada seria diferente. Logo imaginei a sensação de sair de casa, como se fosse um morador do bairro, que caminha uns metros de um caminho qualquer e bota o pé na areia. E convenhamos que isso é totalmente diferente de descer do prédio, atravessar a rua movimentada e chegar à praia. Foi inevitável essa sensação de “casa de praia”, sentimento esse que mudou ao chegar ao fim da rua. Mudou para melhor! Senti que a praia deixou de ser um adjetivo das “casas de praia” e virou substantivo para elas, pois era a praia quem tinha o motivo para todas aquelas construções estarem alí. Era uma “praia de casas”, e o motivo era a imponente construção de fundo, agregada as belezas que ela já tinha.
Vendo tal paisagem, instantaneamente lembrei-me de um arco-íris. De fora à fora do meu campo de visão, a ponte ejetava da selva de pedra e terminava sua pintura entre o Convento e o Morro do Moreno. O brilho do mar que refletia em sua estrutura, aliada a sombra que ela projetava na areia onde estava foi a junção perfeita para uma cena perfeita, com a praia contemplando ainda mais o visual. Na verdade, parecia que a praia tinha sido feita para se tomar um sol, se divertir e paralelamente venerar o belo visual artificial (e daí?) daquele objeto em meio aos prédios e tanta natureza. Não consigo lembrar de tamanha interação entre um cartão postal e o lazer do dia a dia que pode ocorrer naquele local. Virou uma foto gravada na memória (e no álbum digital), que virá a cabeça sempre quando o ônibus subir a ponte.
Aliás, difícil não gravar na memória tudo isso com um dia tão bonito, um sol depois de tanta chuva, um mar calmo e baixo, com um vento fresco e moderado. Confesso, dei sorte! Precisei subir a pedra que fica no final pequena praia, precisei passar por baixo da ponte, precisei sentar em frente ao shopping, na grama, à sombra dos coqueiros. Tudo para admirar tanta beleza e recarregar as energias, me enchendo das positivas. E nesse momento o mundo parou! Esqueci por minutos que ainda tinha outros lugares para visitar naquele dia. Esqueci todo o complexo mundo de problemas sociais, econômicos e pessoais que assolam todos nós. A minha conexão era com o ambiente. Uma conexão que não necessita de concentração, olhos fechados ou silêncio, pois naquele momento tudo que precisava era dos cinco sentidos para receber as mensagens. Desligar um deles, ao contrário do normal, não aguçaria os outros quatro e não faria aquele momento mais rejuvelhecedor.
Para contemplar toda essa paz, só faltou mesmo um banho de mar. Nesses momentos, só o pé na areia e na água não seria suficiente. Não sei por que diabos não apliquei por completo o lazer do dia a dia que mencionei acima. Talvez para permanecer o encanto, e para instigar, imaginar, o quão prazeroso seria fazer parte daquilo, tendo como plano de fundo do momento o Convento, a Ponte e a bela Baía de Vitória. Quem sabe no dia que eu fizer isso, haja mais um cartão postal, o Cais do Porto (kkkkk). Mas fato é que essa experiência seria totalmente diferente de uma foto no Cristo ou na Pampulha. Não seria apenas turística, onde saímos totalmente do nosso mundo, vestimos roupas bonitas em busca de fotos e tal, mas sim, uma experiência de imersão na paisagem que admiro, como se pudesse tocar cada parte daquele lugar, sem fotos para lembrar, sem a obrigação de escrever sobre o que senti, sem rodeios ou bobeiras. Apenas com meus olhos, e um filme para gravar na memória.
Prejuízo per capita: R$ 3,86 + passe escolar do Transcol
Fotos: http://1drv.ms/1pLAY5E
Trilha Sonora: Kings of Leon – Mechanical Bull (album)
O trabalho IaNoMoney Grand Tour 001 – Praia e Enseada do Suá de Ianomoney está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
